
Não me lembro se era na "Cartilha de João de Deus" ou num dos primeiros livros da instrução primária que se lia o seguinte texto:
"A mãe dera à filhinha um belo cacho de uvas, douradas pelo sol regadas pelas chuvas".
Não me consigo lembrar se a primeira vez que li ou ouvi este texto se foi nesta forma ou se já foi pela voz do meu irmão Carlos que gostava de fazer o trocadilho e dizer:
... regadas pelo sol e douradas pela chuva!"
Também podia ter chamado a este quadro "Cacho'Sodré"!
Era assim que o meu irmão Zé, também de tenra idade, julgava que se chamava o terminal dos comboios da linha do Estoril em Lisboa!!!
Se o Zé Faz Falta, o Carlos não fará menos!!!
PASSE A IMODÉSTIA
São poucos os anos que decorreram desde o primeiro dia a partir do qual nunca mais pude deixar de pintar.
Pintar, porque o sinto como uma missão, passou a ser compulsivo.
Porque não conheço nada, mas mesmo nada de semelhante com a minha pintura (e conheço alguma coisa) acho que tenho a "obrigação" de a divulgar... passe a imodéstia.
Dizia uma amiga minha, também pintora, como comentário à minha pintura que esta era muito... decorativa! - Ao que lhe contrapus que a considerava ainda mais "de curativa"... passe uma vez mais a imodéstia... mas isso será conversa para depois.
Por agora aqui estou!
Expondo o que a paciência, que não imaginava que tinha, me tem proporcionado pôr na tela.
Espero que gostem!
1 comentários:
Adorei recordar...
Já agora, aqui vai o poema completo:
O CACHO D'UVAS
A mãe dera, à filhinha,
um lindo cacho de uvas
doirado pelo sol...,
regado pelas chuvas.
Vê ela, ao longe, o irmão,
que diligente vai
levar lá longe, à quinta,
o jantar a seu pai.
E pensa: "-Tão pequeno...,
como há-de ir cansadinho...,
que bem lhe saberia,
agora, este cachinho."
Corre..., enfim,
lá consegue alcançá-lo
e dá-lhe os doces bagos
que devem refrescá-lo.
Depois, à casa, volta
sem dizer nada à mãe.
E, a caminho da quinta,
vai, o irmão, também.
Mas este que já sente
como é duro o trabalho,
vendo o pai tão cansado,
não come o cacho e dá-lho.
Recebe o lavrador
e pensa na mulher,
nas lidas e canseiras
que a pobre deve ter.
Assim não come o fruto
e ao voltar, à noitinha,
oferece-lhe o cacho
que ela dera à filhinha.
Dessa maneira
volta à primeira mão
num exemplo vivo
de amor e união.
Oh, doce amor de mãe,
irmã, filho e esposo.
Crianças segui sempre
exemplo tão formoso.
---
[Por mim, a última quadra seria excluída)
:)
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